quarta-feira, 15 de julho de 2009

De longe é mais fácil perceber, porque brilha.


Entre ele e ela há uma sintonia... comunicação insólita, frequência desconhecida. Admira-a como escritora e mais ainda como pessoa - ela que deixa sua vida tão mais descontraída e doce. Desnecessário dizer dela, que é inteligente - mas diria. É escusado dizer dela que é merecedora de que se goste e admire, mas se não o fez foi por economia. Admira como ela se permite buscar o que é, e quem disse que não vale errar ou mudar o curso do rio? Pessoa dada à pessoas, algumas efêmeras... mas sempre intensas. Sua amiga, companheira de horas e vários textos... e de alguns afetos, é fato... não se olharam nos olhos para dizer verdades como fazem os amigos (uma pena). Mas de suas verdades, no entanto, pensa até que ela esteja farta, pois cenário do filme deles é sinceridade. Às vezes ela cai em crise - necessário e muito a quem se reedita... às vezes ele lhe tem cuidado, apesar da quase mesma idade... às vezes ela o põe doido e às vezes o enlouquece de rir. Pensa que se fosse um quadro, pinceladas de carinho lhe daria se lhe fizesse o retrato. Ela é... uma coleção rica de referências.

Ele chegou como quem vem pra ficar pouco tempo, com muito silêncio e versos mudos. Era um mistério, notou. Notou e tão logo se propôs a ser tela, deixando que ele se desvendasse por si. Tantas cores não habituais foram pintadas, tanta poesia antes não escrita preencheu páginas em branco. Foi assim que apareceram. Ele é aquele menino que ela conheceu nos primeiros dias de escola, com o qual dividia o lápis de cor e o lanche. E ele carregava sua mochila, quando estava pesada demais. Carrega. Onde se encontraram? Se (re)conheceram dos sonhos. Já dividiram pesadelos, também. Já se dividiram, mas somam-se muito mais. O pouco tempo, hoje, é infinitude. Ele carrega consigo qualquer coisa que tranquiliza as horas dela. É feito de coração. Cor, ação, olhinhos de cor desmaiada, um sorriso doce, uma palavra exata, uma besteira bem dita pra fazer doer-lhe a barriga de gargalhar. Ela já quis carregá-lo no bolso. Já quis pendurá-lo de cabeça pra baixo, também. Sobre ele, diria todas as palavras mais lindas e sentidas.

"... e de repente olhaste uma flor sobre uma sepultura e disseste que gostavas tanto de amarelo e eu disse que amarelo era tão vida e sorriste compreendendo e eu sorri conseguindo e vimos uma margarida e nem sequer era primavera e disseste que margarida era amarelo e branco e eu disse que branco era paz e disseste que amarelo era desespero e dissemos quase juntos que margarida era então desespero cercado de paz por todos os lados."

Talvez por isso ela fique querendo desenhar todas as nuvens do céu, como forma de fazê-lo ler seus carinhos. Imagina seus olhos distantes admirando algo em comum, e faz moldura de amizade-maior enquanto escuta a melodia das músicas sem letra que ele lhe ensinou a sentir. No meio de todo o desespero de ser humano - demasiadamente, no caso dele -, ela sugere acenderem luzes com seus risos. Uma margarida no caminho. Amarelo, branco, e ele todo é azul. Por isso que sentam em cima de uma pedra e falam de coisas bobas ["Às vezes a gente pensa que está dizendo bobagem e está fazendo poesia".], com uma ingenuidade quase infantil. Se leem. E nessa hora ela pensa que quando já nem tiver nome, sua alma vai manifestar uma alegria envergonhada, por lembrar, caduca, que todos os gestos mais doces já couberam, um dia, numa só pessoa: ele.

Alguém como poucos, não se encontra ‘dela’ por aí. Tem muito do que ele é e do que gostaria de ser. Pra entender tem que desbloquear o impossível e abandonar o resguardo pra regar as flores, nunca foi fácil, mas na cabeça dele, com os seus botões e seus dentes de leão, sabe, sente, precisa que as palavras não tomem forma. Poderia ser um rei, um palhaço, um pai, um professor, um mecânico, um cantor, um instrutor, poderia ser o que fosse que ela do seu lado diria: - É doce. Poderiam estar sentados um do lado do outro, por horas sem falar palavra alguma, é que por vezes é desnecessário falar, e ela sabe que estariam construindo, e estão sempre construindo lembranças. Cheiro de livro, gente e café . E então vidas folheadas e páginas relativas, fizeram-na ser quem é. "És eternamente responsável..."; ele também.

º Com o doce, maisdocequeodocedabatatadoce.

30 comentários:

Fernanda disse...

por que a gente é responsavel por tudo aquilo que cativa...acho que um sabia que o outro era um pedacinho deles fora do seu corpo...um mundo só deles...cheio de poesia e encatamentos,com muitas cores mas principalmente o azul,daqueles que só o céu tem.

Ni ... disse...

Como é doce amar...

Saudade... muita...

Beijo e mais beijos....

Carolda disse...

Ah, o amor...
Que lindo isso! Lindo, lindo!
"Cheiro de livro, gente e café." Adoro esse tipo de ambiente ;)
Beijo

Joyce Carolini. disse...

"Ele é aquele menino que ela conheceu nos primeiros dias de escola, com o qual dividia o lápis de cor e o lanche. E ele carregava sua mochila, quando estava pesada demais."

Tão doce esse texto!

Beijocas pra ti Jaya!

[P.!] disse...

lindo.

e teu pedido tá lá em casa. atrasou um bacadinho tá?!

um beijo (é teu).

gabriela m. disse...

"Às vezes a gente pensa que está dizendo bobagem e está fazendo poesia"

né?

~

mara o Thiago tripé;
:)

Willian Lins disse...

Ah, eu senti uma pontinha de inveja desse texto, sabia? E vocês separados já escrevem bem, imagina quando se juntam e fazem uma porra de um texto tão bonito desse. Droga!
Rs, tenho que admitir, eu adoro vocês.

beijoJaynhadosorrisomaislindo.

Thiago Ya'agob disse...

Jaya...

O que foi que eu li?
[Estou um pouco emotivo hoje e essa escrita conseguiu retirar dos meus olhos alegres lágrimas - não há vírgulas]

Essa esfera de amizade mútua - principalmente em escrita - traz paz branca com pequenas frestas de desespero amarelo. [Há dias não lia algo tão singelo e vivaz - e isso não é elogio ou ‘apenas comentário de colega de blog’, não!]. Eu parei tudo em mim para ler. E após a leitura, continuei a me ler. E essa reflexão foi saudável. Obrigado.

Shalom.

João Romova disse...

Aos do(is)ces

Desnecessário dizer desse texto, que é doce, é temperado, é raro - mas diria.

Nasca disse...

esses dois. dá nisso
coisa linda de ver, sentir e reler

jaya, cada vez mais, moça :*

geo. disse...

bom, vou começar pelo seu pedido. óbvio que pode e aliás, seria um grande enorme prazer. fique a vontade pra usar meus versos como achar melhor.

aqui as coisas andam caminhando bem de fato. e espero não voltar pro preto e branco. there's nothing like colours. obrigada pela caixa de giz lápis colorida oferecida.

e o texto, bom, eu me acho meio redundante quando comento aqui, porque são todos tão lindos que não vejo mais nada pra falar senão: lindo!

beijos querida

Anônimo disse...

Jaya, uma vez eu disse que teus textos eram compridos, e que por isso demandavam tempo para leitura. Agora pergunto: quem sou eu? O que é tempo? Tudo pára pra te apreciar.

Cinco parágrafos gigantes é muito pouco, sua preguiçosa. Por favor, escreva mais, 10, 20, 30, 40, 50 parágrafos enormes e lindos como só tu sabes fazer. Não quero mais trabalhar. Quero passar a vender coco numa barraca de praia - desde que disponha de um laptop, pra não desgrudar de ti, meu bálsamo. E que delícia essa nova vida seria.

Resisti até quando pude, pois não gosto de voltar atrás - não fica bem - mas preciso mudar de idéia. Você é a melhor. Imbatível. Tem coisas que só você sabe fazer mesmo, e diferentemente do resto da humanidade, eu não esqueço.

Obrigado pelos sonhos - mesmo não sendo meus - obrigado por esse pouquinho de luz em meio a todo o resto.

R. disse...

Jaya, queridíssima! Olha, tou a voltar semana que vem. A vida andou turbulenta, volto bem e feliz e venho cá e leio tudo também. Você sabe que eu adoro tudo que vc escreve!

Beijos, moça!

Carolda disse...

Só pra constar que seu comentário me deixou muito feliz. E ele dava um belo texto =] Falou tudo dizendo pouco.
Toma outro beijo ;*

Kari disse...

"não se olharam nos olhos para dizer verdades como fazem os amigos"

Já amou antes mesmo do primeiro olhar?

Ai moça! Cmo é bom me deliciar com tais palavras tão doces... Escreves numa sequência que sempre, sempre me deixa querendo mais...

Beijão pra tu

Luciana disse...

Li o comentário do Wilson lá em cima e de fato admito, também, que senti uma pontinha de inveja. kkkk!

Inveja de tal amizade tão bonita, sincera e duradoura, daquelas que todo mundo sonha em ter, mas só poucos conseguem.

Vocês dois são uma junção perfeita em escrita e sentimentos! São doces e flores ao mesmo tempo!

Adorei o texto!
Beijos, moça doce! ^^

Bill Falcão disse...

Sem dúvida, ver de longe parece mais bonito, por causa do brilho. Mas, vendo de perto, ou melhor, lendo de perto, vemos aqui uma brilhante coleção de referências.
Bjooooooooooo!!!!!!!!!!

Monday disse...

Gosto sempre de ir desenhando na mente as imagens que você pinta nos textos.

Talvez ambas saiam parecidas, talvez não. Mas o clima é o mesmo!

Lembranças boas, muito boas dos tempos de menino pequeno e das meninas com sentava ao lado, nos tempos de primário e início de ginásio (o famoso "fundamental" de hoje!).

Muita gente que provavelmente não se verá mais, senão em lebranças. Talvez isso não tenha assim tanta importância, ainda mais que o hoje certamente não terá os mesmos traços do outrora.

Prefiro manter a mente sã, para que ela possa sempre se lembrar daqueles momentos.

Bom te ler, me traz pensamentos que terminam em sorrisos ...

As Flores e Eu disse...

Parabéns... muito bonito mesmo.

primaverasdesetembro disse...

Eu não acredito que ainda n deixei recado nesse post[maravilhoso!]..
meninaaaaaaaaaa
eu gosto tanto, tu nunca erras!incrível..incrível..


mass siiiim..a Jéssica excluiu o blog, não sei pq :(
[tô longe dela agora]
fiquei muito puta, sem comentários, quando voltar p Belém vou dar dois cascudos[um por mim e outro por ti!]

bj, me liga ;*

Laysla F. disse...

Oi, Jaya. Quanto tempo! :)

Vim dizer que, há mais ou menos dois dias, me lembrei de você. É que decidi ler Gabriel García Marquéz e, se não me falha a memória, acredito que já tenha lido aqui alguma coisa a respeito desse autor.

Então, o livro que estou lendo é o 'Memória de minhas putas tristes', que peguei na biblioteca da faculdade ontem, e hoje já estou pra lá da metade, por ser tão boa leitura.

Se puder me passar o seu e-mail para a gente prosear, vai ser divertido, rs! E muito válido, afinal.

Espero sua resposta, meu bem.
Beijo grande.

Glau Ribeiro disse...

Ai Jayazinha, amizade de vocês é uma delícia de ler e deve ser uma gustusura de viver! =)

Com você, é sempre bomdimaisdacontasô! rs.

p.s.: saudades.

<b><i>Toni </i></b> disse...

Já que todo mundo aqui já disse tudo, vou contar o que roubei pra mim dessa vez:

"Ele carrega consigo qualquer coisa que tranquiliza as horas dela."

Você me ajudou a entender um sentimento que eu não conseguia expressar.
Me empresta esse verso?
Pra sempre?
rs...

Beijo!

Bruna M. disse...

Magnifico!

Adorei tudo aqui e já te favoritei.

:*

Paula. disse...

Olá Jaya!
Lindo blog!

"Ela já quis carregá-lo no bolso. Já quis pendurá-lo de cabeça pra baixo, também. Sobre ele, diria todas as palavras mais lindas e sentidas."

Amei!

Thiago disse...

Mais-do-que-perfeito e de coração cheio. Beijo, maisdocequeabatatadoce.

(hahahahahahaahahahah)

É que é sempre tão bom escrever contigo, quero bis.

Bandys disse...

Belo texto,

adorei!

beijo

Eloisa disse...

Que coisa comentei no blog do doce mais doce que a batata doce, rs, justamente isso! ((:
Um beijo. :*

Juh... disse...

Invejável é esse tipo de amor...

Obrigada pelo comentário querida
mas difícil mesmo é desgrudar de suas palavras que parecem algodão doce de tão encantadoras...

Não vai me achar insolente se não quiser sair daqui ne?
rs

Grande Beijo
;*

Freshmaf disse...

Estava aqui á procura de novos livros par aler quando me deparo com este blogger (nao sei mas viagei muit para aqui chegar)

E li suas primeiras palavras e fiquei apaxonadissimo *.*

Caramba que gosto de ler seus textos... so para deixar a minha pegada, Freshmaf